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O erro invisível que deixa seu texto confuso
O erro invisível que deixa seu texto confuso
(mesmo quando a ideia é boa)
Há textos que parecem promissores desde o início. A ideia é interessante, o tema é relevante, a intenção é boa. Ainda assim, algo não funciona. O leitor se perde. A mensagem não se sustenta.
Quando isso acontece, o problema raramente está no vocabulário ou na gramática. Na maioria das vezes, o erro é mais sutil — e justamente por isso passa despercebido.
O texto nasceu antes de a ideia estar pronta.
Escrever antes de pensar é o erro mais comum
Muitas pessoas acreditam que escrever é uma forma de organizar o pensamento. Isso é apenas parcialmente verdadeiro.
A escrita pode, sim, lapidar ideias. Mas quando ela é usada como ponto de partida absoluto, o texto se torna instável, cheio de desvios e repetições.
Esse tipo de confusão costuma aparecer logo no início do processo, naquele mesmo ponto em que muitos travam diante da tela em branco, como explico em Por que travamos diante da tela em branco.
A ilusão da clareza
Dentro da própria cabeça, tudo parece fazer sentido. O problema surge quando essa lógica interna precisa ser compartilhada.
Sem uma estrutura prévia, o texto passa a depender do improviso. E o improviso, na escrita, cobra um preço alto: confusão.
O erro invisível é confiar que o leitor acompanhará o mesmo caminho mental que você percorreu.
Clareza não é dom — é construção
Textos claros não surgem por acaso. Eles são construídos a partir de decisões conscientes: o que vem primeiro, o que sustenta o argumento, o que pode ser descartado.
Quando essas decisões são tomadas antes da escrita, o texto ganha coerência e fluidez.
Quando não são, o leitor sente o peso da confusão.
Um texto não fica confuso porque falta informação, mas porque falta estrutura.
O próximo passo
Se você reconhece esse padrão nos seus textos, a boa notícia é que ele pode ser corrigido. Não com mais esforço, mas com um método de organização anterior à escrita.
É exatamente esse processo que detalho no Escrita Implacável: uma forma prática de transformar ideias soltas em textos claros, sem improviso e sem sofrimento.